DEPOIMENTO – DERIVA DO BEM 2023
Conheci o Deriva em 2022 mas só consegui participar em 2023. O meu interesse pelo Deriva se deu pelo fato de ser da terceira geração de fotógrafos da minha família e de gostar de fotografar a paisagem da cidade. Desde o meu avô, meus pais, tios, primos e minha irmã todos seguiram a profissão, eu trabalhei como fotógrafa e videomaker até me formar em design quando enveredei por outros caminhos e acabei me interessando pela fotografia mais no seu aspecto artístico e ontológico.
O Deriva é um convite a olhar a cidade sem pressa e com olhos atentos e curiosos, depois da experiência refleti e entendi que sempre passei pelo centro da cidade com um objetivo claro e pouco tempo disponível e de fato nunca olhei atentamente. E neste sábado fui cooptada pela beleza um tanto decadente mais ainda sim bela dos prédios que se mantém de pé mas sofrem a ação do tempo, olhei ao meu redor e para o alto, e vi a arte pulsando nos lambes e grafites, nas imagens e nas palavras e na combinação de cores e sobreposição de texturas. Vi muitas cercas eletrificadas, cadeados e portas intransponíveis, pessoas sem rostos identificadas apenas pelos uniformes e que se colocam nas esquinas a espera do próximo possível cliente, vi também pessoas com necessidades que a cidade não atende e que ainda sim circulam pelo espaço urbano, vi pessoas que performam com o auxilio de adereços como uma peruca, em buscam de um trocado qualquer que no final de dia somado garanta o sustento do dia.
Suzilayne Rodrigues da Silva, designer e fotógrafa