“A cidade cresce, mas tropeça em si mesma. Nos becos de pedra, a história sussurra, resiste nas fachadas, nos passos lentos, nas memórias de um tempo que se dobra. Adiante, o concreto se impõe, impaciente, ergue moradias, ruas, avenidas, promete o “tempo novo”, o avanço, o futuro, mas esquece dos pés que não alcançam. O progresso vem, mas não para todos. Escadas cortam caminhos que não deviam, calçadas se estreitam, rampas se ausentam, e a cidade se fecha para quem mais precisa. Entre o passado que resiste e o presente que se ergue, há um futuro suspenso, em espera, uma cidade em potencial, que só será plena quando todos puderem caminhar por ela, por Vila Boa.”