Goiânia, sábado desanuviado de junho de 2023. Primeira participação na Deriva do Bem.
Mais que buscar por registros poéticos, o convite de olhar sem perspectivas fetichistas sobre aquilo que escolhemos ignorar, amplia-se para um enxergar uma invisibilidade que não significa ausência. O invisível se mostra nas relações de poder que se desdobram a cada esquina, canto, beco ou buraco, apontando algo para a nossa seletiva miopia. Diante da precariedade humana surgiram muitos registros para a alma e poucos para a câmera, porém um em especial se apresentou: a representação de uma mão que desce de um profundo azul rumo à matéria. A mão, sujeita às intempéries do tempo, anuncia o invisível que toca com os dedos.
Bernardo Morais