Caminhar é o gesto central da Deriva do Bem. Ao percorrer ruas, praças, becos e bairros com tempo e atenção, os participantes são convidados a observar aquilo que muitas vezes passa despercebido no cotidiano. Arquiteturas, paisagens, pessoas, histórias e memórias aparecem de outro modo quando a cidade deixa de ser apenas lugar de passagem e passa a ser vivida como espaço de encontro, descoberta e pertencimento.
No dia a dia, quase sempre caminhamos para chegar a algum lugar. Na Deriva, o próprio caminho ganha importância. Derivar é permitir-se sair dos percursos habituais, caminhar sem a pressa que marca os deslocamentos cotidianos e deixar que a cidade revele situações, lugares e encontros inesperados. Mais do que alcançar um destino, interessa perceber o percurso e construir, a partir dele, novas relações com a cidade.
O “do Bem” está presente desde as primeiras experiências do projeto e traduz sua dimensão solidária. As atividades são gratuitas e, ao longo dos anos, têm mobilizado doações voluntárias destinadas a instituições e ações sociais. Mas essa ideia de fazer o bem também se estende à própria cidade: conhecê-la, ocupar seus espaços, valorizar seu patrimônio, reconhecer suas diferenças e compreender que cada pessoa participa, à sua maneira, da construção cotidiana do lugar onde vive.